Bairro Gioppo


O presente relato objetiva levar ao conhecimento do povo de Caçador, e mais especificamente do Bairro Gioppo, alguns dados históricos levantados junto a moradores antigos de nossa comunidade, principalmente minha mãe, Júlia Gioppo Carneiro, acerca do povoamento e desenvolvimento deste lado direito do Rio Caçador - o bairro mais antigo de nossa cidade.

Tudo teve início em conseqüência da Campanha do Contestado, em 1916 que, com seu desfecho favorável à legalidade e ordem, e ainda revelando as riquezas de terras férteis, pinheiral fechado, clima ameno, acabou chamando a atenção de pioneiros.

O italiano José Gioppo, nascido em Lugo di Vicenza, Região do Vêneto, no dia 28 de março de 1869, registro da paróquia de origem: 11 de janeiro de 1869, juntamente com Luiz Tortatto, habitantes de Porto União, firmaram contrato com os fazendeiros João de Paula Carneiro e seu irmão, Antonio de Paula Carneiro, donos destas terras, para explorarem a mata de araucária.

De início, montaram, em 1918, uma serraria nas proximidades da rua Aurélio Costa, no Bairro Nossa Senhora da Salete. Por esta ocasião, já estavam aqui a família de Luiz Tortatto e o Sr. José Gioppo, com seus filhos, Miguel e Sílvio Gioppo. No dia 12 de fevereiro de 1919, em um vagão alugado à Estrada de Ferro, chegavam os restantes membros da família Gioppo, Dna. Margarida Carretta Gioppo e os filhos menores, que se radicaram definitivamente nesta terra nova.

Em 1920, a sociedade Gioppo-Tortatto foi desfeita e o Sr. José (Giuseppe) comprou dos irmão Carneiro 22 alqueires de terra, cuja demarcação começava na foz do Rio Caçador e seguia morro acima, em linha reta, indo encontrar o mesmo rio cerca de 1.500m mais ao norte. A família Gioppo havia adquirido as terras da grande curva do rio Caçador, hoje o bairro caçadorense que leva seu nome: Bairro Gioppo. Neste mesmo ano, no dia 24 de janeiro, nascia o último rebento da união de José com Margarida - Alfredo.

Em 02 de novembro deste ano, a família pioneira se estabelecia em residência definitiva, ampla casa de madeira, construída aonde hoje se ergue a do Sr. Júlio Gioppo:

Dono do seu próprio chão, necessária se fazia a labuta para a sobrevivência. Assim, a generosa porção de terra começou a ser trabalhada. O primeiro parreiral da região foi plantado: o vinho rubro brotou pela primeira vez em Caçador, que ainda era Rio Caçador. Trigais cresceram onde hoje é a Pista Olímpica. O rio Caçador deu origem ao Valo, feito à custa de picareta, pá e enxada. Desta maneira, a "tafona" já podia ser movida, beneficiando a mandioca. Em seguida, foi montado o moinho: já se podia comer pão de milho e trigo.

1928 - dia 07 de julho - morre o pioneiro José Gioppo, de câncer, aos 59 anos. A viúva, Margarida Carretta Gioppo, ficou com os filhos: Maria (Osório Timmermann), Miguel (Zaíra Cararo), Silvio (Mafalda Balardini), Judite (Pompílio Bento), Benjamin (Etelvina Mattos), Júlia (Fermiano Paes Carneiro), Emília (João Pedro da Silva Brasil), Júlio (Olinda Ferlin), Alfredo (Ana Maria Cardoso dos Santos). Pedro Carretta e Antonio Carretta, parentes dos Gioppo, sempre batalharam neste chão, contribuindo, assim, para o engrandecimento da cidade que se formava.

Mais tarde, Waldomiro Wordell e sua esposa Carlota (avós de Mario Luiz Cachinski) aqui vieram residir, bem como João Velasquez, José Maria Alves, José Ançay, José Mendes (Seu Juquinha), Francisco Auerswald, Celeste Mandelli, Alberto Kavanagh, Alcides Ribas, Fermiano Paes Carneiro, Willy Bensberg, Maria Cararo, André Muchalle, Alexandre Fedechen, João Schmigell, Argemiro Lima, Estanislau Hilarecki, João Kachinski, Bertolino Silva, Leonel Beckert, Antônio Ranzani, João Pedro da Silva Brasil, Fermiano Soares, Jucelin Britto, Marcos Moretto, Sr. Caetano e Dona Enriqueta, Augusto Royer, Demétrio Romão Pacztuch, Brás Velasques, Willy Schimanoski e Fioravante Buschetti.
Hoje, o Bairro se apresenta bem diferente de então. Cresceu. Suas ruas estão calçadas. Falta arborização. O prefeito Reno Caramori cumpriu uma velha promessa feita à "nona" Margarida pelo prefeito José Kurtz, quando da compra da pedreira. "Dona Margarida, se a senhora vender a pedreira para a Prefeitura, as primeiras ruas a serem calçadas serão as do bairro Gioppo. A senhora vai poder ir à missa sem pisar no barro".

O pioneirismo do Bairro também se firmou através da indústria, moinhos, fabrica de cadeiras, torrefação de café (Café Caçador - quem não se lembra?), engarrafamento de bebidas: a "gasosa", aguardente e vinagre de sabugo.

A Escola Reunida Prof. Marcírio Maia deu origem à Escola Básica Dante Mosconi, que promove a formação intelectual e humana, não só das crianças do local, mas dos bairros circunvizinhos.

É aqui no Bairro Gioppo, na Central de Trabalhos da Prefeitura, que se localiza a Usina de Asfalto. É daqui que saiu a pedra que calçou as ruas da cidade. É daqui que continua saindo, inesgotavelmente, a pedra britada para o asfaltamento das principais ruas e praças de Caçador.
Dona Margarida Gioppo, antes de falecer, juntamente com os herdeiros, doou à comunidade do Bairro um terreno para a construção de uma Capela, cujo padroeiro é São José Operário. O Bairro sempre foi um local preferido pelos operários.
11 de novembro de 1984: o povo todo, prestigiado por autoridades constituídas, Prefeito Onélio Menta, entre elas, assentou a pedra fundamental do novo templo de Deus, que por certo será um local de aferição de bênçãos e graças.
O povo do Bairro Gioppo - ordeiro, tradicional e laborioso - certamente continuará unido, transformando e embelezando este pedaço de chão que escolheu para viver, tendo em vista um objetivo maior: o engrandecimento da Pátria mais próxima, mais palpável - CAÇADOR.



Caçador, 11 de novembro de 1984.

JOAO PEDRO CARNEIRO

 
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